'Apanhou de estuprador': chacota teria motivado morte de Dante Michelini; suspeito conversou com corpo decapitado após assassinato
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Willian Santos Manzoli, de 28 anos, preso pelo assasinato de Dante Michelini, em Guarapari
Reprodução
O homem apontado como autor do assassinato de Dante Brito Michelini, de 76 anos, confessou que a motivação do crime teria sido uma chacota sofrida por ele alguns dias antes do crime, quando foi ridicularizado por ter apanhado da vítima.
Após matar e decapitar Michelini em um sítio na localidade de Meaípe, em Guarapari, Willian Santos Manzoli, de 28 anos, voltou ao local do crime no dia seguinte, onde permaneceu ao lado e conversou com o corpo decapitado, segundo a Polícia Civil.
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"Dantinho", como a vítima era conhecida, foi encontrado morto no dia 3 de fevereiro. Ele foi um dos acusados e, posteriormente, absolvido pela Justiça, no caso da morte da menina Araceli Cabrera Crespo, em 1973, um dos crimes mais emblemáticos de violência contra a criança do país.
Em depoimento à polícia, Manzoli relatou que foi humilhado em uma boca de fumo local por ter sido derrotado por um "Jack" - gíria usada para se referir a quem comete estupro. Essa zombaria teria estimulado o desejo de vingança que culminou no assassinato de Michelini.
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De acordo com o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, ao voltar ao sítio após o assassinato, William sentou ao lado do cadáver e, enquanto fumava um cigarro de maconha, o investigado falava com o corpo frases como: "Viu só, Jack?". O suspeito ainda teria urinado na vítima decapitada.
Decapitado vivo
William informou aos policiais em uma reconstituição não oficial que foi realizada na manhã desta quarta (11), no mesmo local do crime, que decapitou Dante com ele ainda em vida.
"Ele foi morto no dia 19 de janeiro e descobrimos o corpo no dia 3 de fevereiro. A putrefação é grande, mas podemos afirmar que ele sofreu muito. Teve a cabeça cortada quando estava vivo", destacou o delegado.
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Ocultação da cabeça
Após decapitar a vítima, a polícia apurou que o homem percorreu parte do trajeto até a região central de Guarapari utilizando uma bicicleta, levando a cabeça em uma sacola.
O suspeito a retirou e arremessou no canal de Guarapari. Na primeira tentativa, porém, a cabeça teria boiado. Ele, então, entrou na água, a pegou novamente e amarrou com arame a uma pedra antes de fazer um novo descarte, desta vez afundando.
O membro foi localizado por mergulhadores do Corpo de Bombeiros a cerca de quatro metros de profundidade, também nesta quarta (11). As armas usadas no crime não foram localizadas até a publicação desta reportagem.
Dante de Brito Michelini foi encontrado decapitado e carbonizado em sítio, em Guarapari
Reprodução/TV Gazeta
Dinâmica do crime
A investigação aponta que o suspeito já estava se escondendo na propriedade dias antes. O terreno tem cerca de 51 mil metros quadrados e possui construções em estado de quase abandono. Fabrício Dutra contou ainda que o autor entrou na propriedade utilizando ferramentas.
"Ele falou que usou alicate para entrar na propriedade. A grade havia sido contada recentemente mesmo", disse o delegado.
No dia do crime, houve luta corporal. O delegado afirmou que o suspeito é praticante de capoeira e se utilizou das habilidades de luta para derrubar e imobilizar Dante.
Dutra descreveu a ação como extremamente violenta. "Ele é uma pessoa perigosa e não é uma pessoa que fez sem pensar, ele é violento, um perfil de extrema violência", afirmou.
Se mostrou orgulhoso por ter matado a vítima
O suspeito foi preso no dia 28 de janeiro por descumprir uma medida protetiva expedida na Bahia, relacionado à Lei Maria da Penha. A partir do cruzamento de informações sobre furtos na região, investigadores chegaram ao nome dele.
"Tivemos a informação de que um homem que tava na região entrando em casas e fazendo furtos estava na cadeia. Era uma informação boa para chegar no autor porque na data do crime ele estava na região", explicou Dutra, citando que Willian possuía feridas nas mãos e marcas das pauladas desferidas por Dante quando houve a briga entre os dois.
Na manhã desta quarta-feira (11), a polícia também esteve com o suspeito de cometer o crime no sítio onde Dante Michelini foi encontrado, em Meaípe, Guarapari, Espírito Santo
Caíque Verli
Segundo o delegado, o suspeito fez a confissão do crime se mostrando orgulhoso da morte.
"Solicitamos a retirada para Secretária de Estado da Justiça (Sejus) e a equipe de investigação usou técnica de dialogar de forma tranquila e vimos que ele se orgulhava de ter matado um estuprador", finalizou.
Até esta quarta, o corpo de Dantinho continuava no Instituto Médico Legal (IML) para não atrapalhar a investigação caso seja preciso colher algum material genético. Não há informações sobre a liberação para a família, que já manifestou a vontade de realizar uma cremação.
Relembre o caso
Dante de Brito Michelini, de 76 anos, foi encontrado morto, decapitado e carbonizado, em um sítio em Meaípe, em Guarapari, no dia 3 de fevereiro. O corpo foi identificado Polícia Científica por meio de exame papiloscópico, que analisa impressões digitais, palmares e plantares.
A confirmação da morte foi feita por um de seus irmãos, que esteve no sítio onde a vítima foi encontrada. O corpo estava em uma estrutura incendiada dentro da propriedade, após uma testemunha estranhar a ausência do dono do sítio e encontrar sinais de destruição no local.
Além das buscas na propriedade, a investigação focou também na rotina da vítima. A polícia disse que ia ouvir familiares e pessoas que tiveram contato recente com ele para entender com quem convivia, quais foram seus últimos encontros e os contatos feitos antes da morte. Um dos pontos apurados é a informação de que a família teria colocado o sítio à venda.
Dante de Brito Michelini foi um dos acusados pela morte da menina Araceli Cabrera Crespo, em 1973, no Espírito Santo
Reprodução
Dante era um dos principais acusados da morte de Araceli
Dante foi um dos três principais acusados pela morte de Araceli. A menina tinha 8 anos quando foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória, em 1973.
Em 1980, Dante de Brito Michelini chegou a ser condenado, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Após nova análise do processo, que se estendeu por cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas. O crime acabou sendo arquivado e nunca teve responsáveis punidos.
Em memória à menina Araceli, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000.
Todos os anos, nesta data, a impunidade sobre a morte de Araceli é lembrada e diversas atividades para discutir o tema são realizadas no Brasil.
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